“Isonomia salarial pretendida pela AME e prometida por Rocha é uma grande mentira”, dispara presidente do SINPOL/AC

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Fonte: Correio 68

O Presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Acre (SINPOL – AC), Tibério César, conversou com a reportagem do Correio 68 na manhã desta quarta-feira (27) e se manifestou publicamente acerca das alegações feitas pelo vice-governador Major Rocha e pelo presidente da Associação dos Militares do Acre (AME), o sargento Kalyl Moraes.

Em matéria veiculada na imprensa local, Kalyl agradece ao governador Gladson Cameli pelo adicional de insalubridade e pela gratificação por arma apreendida, mas reitera, em tom de insatisfação, que o objetivo dos militares é alcançar a isonomia salarial com a Polícia Civil, bem como o vice-governador afirma que essa demanda é pauta do governo.

“Essa questão de isonomia com a Polícia Civil é uma grande inverdade, é meramente uma narrativa criada para que haja um desgaste entre as instituições PM e PC. O problema da PM é interno, é o engessamento da carreira”, disse o presidente do Sinpol.

Tibério enfatiza que agentes e escrivães da Polícia Civil não ganham mais do que os policiais militares. “Um soldado da PM ganha R$ 7,00 a mais do que um escrivão ou agente de polícia civil no inicio da carreira. O nosso teto salarial é R$ 53,00 menor do que um aspirante a oficial da PMAC”, explicou.

Segundo o presidente do Sinpol Acre, a Polícia Militar do Estado do Acre usa o discurso da “isonomia” para desviar a atenção do real problema, que é a carreira construída pela própria PM, que não permite a ascensão funcional que os contemplem.

“Além disso, acredito que o objetivo de causar tal confusão é engessar ainda mais a carreira dos praças da PM, pois no momento em que implementarem essa tal isonomia conosco, eles nunca mais vão chegar ao oficialato, mas só se darão conta disso quando for tarde demais”.

O policial civil afirma que caso a “isonomia” pretendida pela AME e endossada pelo vice-governador for implementada, terá que ser para a Polícia Civil também. “Nós policiais civis gostaríamos de ter uma redução na alíquota previdenciária igual a que eles tiveram na última reforma, saindo dos 14% para 7,5% de contribuição. Isto provocou um aumento de salário para a PM, sem falar que as regras previdenciárias deferidas aos militares são as melhores e mais benéficas do país, com integralidade e paridade na aposentadoria, seja para os atuais ou para os futuros policiais militares”, lembrou.

Tibério ressalta que este não é o caminho para o crescimento das instituições, que as especificidades precisam ser respeitadas e que o aumento salarial da categoria foi resultado de uma longa e intensa briga com o governo passado. “Nós batemos o pé e não aceitamos a primeira proposta salarial vinda do governo. A Polícia Militar aceitou”. 

“Não sei o motivo que os levaram a aceitar a proposta vinda governo, mas nós negamos e lutamos por algo que julgamos melhor, e conseguimos. Não podemos ser culpados por algo que eles aceitaram durante a negociação”.

O presidente ressalta que a intenção do Sinpol não é criar animosidade, mas sim esclarecer à população, que essa isonomia não existe, que a PM não ganha menos e que tudo isso é uma grande falácia.

“Um soldado da PM pode chegar até ao posto de Major e ganhar cerca de R$ 13.900 reais, enquanto nós paramos nos R$ 9.200. Agora, se poucos chegam ao posto de Major PM o problema não é dos policiais civis e nem da Polícia Civil, eles que resolvam seus problemas internos, acabando com essa narrativa falsa de isonomia”, dispara Tibério. 

O presidente do Sinpol e escrivão de polícia civil concluiu destacando que futuras negociações salariais com o governo serão difíceis e que não se pautará pela pedida da PM, mas resolvendo os problemas da Polícia Civil. 

Temos uma disparidade salarial interna muito grande, onde um agente e o escrivão ganham a metade de um perito criminal, além de ganharmos somente um terço do que ganha um delegado de polícia e é isso que temos que resolver, diminuir essa disparidade, diminuir esse fosso salarial interno. Não nos importa como será a negociação salarial dos policiais militares”, salientou Tibério, como sendo as prioridades do sindicato. 

“Espero que o Governo do estado saiba entender os problemas internos de cada instituição e que os resolva, mas falar de isonomia como  alguns vêm fazendo, só prejudica os profissionais da ponta”, finalizou.

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